O amor é cego. E eu comprovei isso bem
de perto.
Há algum tempo, meu fiel companheiro partiu, atrás de uma aventura. E, apesar de eu implorar para ele ficar, não quis me ouvir
e nem me enxergar. Pois, estava cego... Cego por amar.
Não é preciso nem dizer, quanto me
senti frustrada, traída e rejeitada. Principalmente depois de tudo que vivemos,
da nossa história e da nossa estrada. Contudo, seu amor por mim chegou ao fim.
O meu fiel companheiro, já não era tão
fiel assim. Mas eu superei e juntei os meus pedaços.
Porém, depois de passado um tempo ele apareceu:
com o rabo entre as pernas, acabrunhado e pedindo para voltar. É é lógico que eu
não quis aceitar; a ferida ainda estava aberta. Contudo, como ainda o amava, deixei-o
ficar. Mas não demorou e ele aprontou de novo; dessa vez, desapareceu sem deixar vestígio.
Procurei-o por todos os lugares: nas
esquinas, nas praças e nos becos. E nada! Dei parte na polícia, distribui
panfletos; mas ninguém o viu. E já tinha perdido a esperança, quando ele reapareceu; com a cara mais deslava.
Isso foi a
gota d’água!
É claro que fiquei aborrecida, e quem não ficava? Pois errar uma vez
a gente até entende, mas errar de novo! Ah! Já tinha decidido: não queria ele mais, nem
pintado de ouro.
Mas quando o vi à porta, cabisbaixo e tristonho, fiquei com os meus olhos rasos d’água. Lembrei-me de um tempo em
que eu estava assim: triste, sozinha e desamparada; foi quando nos conhecemos. E foi
ele quem cuidou de mim; trouxe-me de volta a alegria, o amor; voltei a sorrir. E foi assim, que ele entrou na minha vida, no meu coração e na minha casa.
Eu sabia que iria me arrepender, porém, resolvi deixar ele voltar. Mas tinha plena certeza de que, se aparecesse outra “aventura”, ele iria sem pestanejar. Mesmo assim, desfiz minha cara amarrada e chamei-o
para entrar. Ele pulou e se jogou em meus braços, latindo e balançando o rabo
para festejar.
Tenho que admitir, já não sei mais o que
faço. Mas dele, tenho certeza, jamais me desfaço.
Jussara Pires

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